Parriot 2006 - ANO IV - Um Novo Tempo
Parriot 2006 - ANO IV - Um Novo Tempo
Aqui é um espaço onde a palavra diz tudo. Sem preconceitos. O blog entra em seu quarto ano e em seu próprio novo tempo. Porque desconstruir é bom para construir novos horizontes.
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Sexta-feira, Junho 30, 2006  

Episódio de hoje:BELÍSSIMA


O pior de acompanhar uma novela é estar envolvido com aquela história, aqueles personagens e quando menos se espera acaba. E cada novela é do mesmo jeito. Nos envolvemos com a trama, sofremos com os personagens, escutamos a trilha sonora e quando chega o final fica aquela sensação de orfandade.

Fiquei pensando com relação à novela Belíssima. Quem a acompanha está a cada dia mais ansioso para desvendar o mistério que ronda a novela. A imprensa está em polvorosa, a comunidade do Orkut está com 12 mil integrantes e cada um tentando desvendar à sua maneira o mistério. Quem é o vilão? Quem é o/a filho/filha de Bia Falcão? Por que Valdete morreu no lugar de Bia? São tantas perguntas e tantos detetives "de sofá" que fica difícil não se envolver.

Fico pensando na capacidade de um novelista de conseguir prender seus telespectadores por tanto tempo a uma história. E imagino porque a Rede Globo é a verdadeira campeã na qualidade de produção. A Globo consegue fazer de cada nova novela uma estréia em grande estilo. Começa pelas chamadas comerciais, depois pela qualidade dos primeiros capítulos e sem perceber, lá estamos nós envolvidos com uma nova história, com novos personagens que em muito pouco tempo se tornarão nossos amigos de infância.

O grande mérito de Sílvio de Abreu com "Belíssima" foi conseguir logo no início da novela toda a atenção do público. A Globo até dispensou sua pesquisa de opinião em 2005 (Belíssima estreou em Novembro) porque a audiência foi muito bem, obrigado. Algumas mudanças da sinopse orignal aconteceram. Por exemplo, Pascoal devia ter se tornado um homem educado, mas realmente não ia pegar. O grande lance mesmo foi a sua química com Safira (Cláudia Raia). E a atriz mais uma vez deu um show com seu personagem engraçado, mas ao mesmo tempo sofisticado. Sílvio conseguiu uma proeza, uniu a TV ao cinema. Nunca uma novela foi tão cinematográfica num roteiro como esta. Talvez só Sinhá Moça se aproxime muito disso.

Agora é esperar pelo final e, sinceramente, eu não estou muito preocupado sobre quem são as pessoas. Eu estou mais interessado é nos motivos. Foi assim também quando eu assisti "A Próxima Vítima" em 1995.

Imagem do dia


Fernanda Montenegro: A grande vilã.

Texto do dia

Em homenagem à novela, vai a letra da música Belíssima cantada por Ney Matogrosso e que está tocando neste momento no blog.
Pra mim, uma das mais "belíssimas" da trilha sonora.

BELÍSSIMA
Ney Matogrosso


Porque a beleza te escolheu
Para se representar
O mundo pode ser seu
Você só deve ser ou estar

Porque o belo te elegeu
Para se mostrar
O mundo quer te pertencer é só você querer
Ou desprezar

Comigo não belíssima
Com truques não belíssima
Comigo nada menos do que você me deixou entrever
Por trás do aço do reflexo
Que te faz embevecida.


Aproveito para deixar aqui um abraço a todos da comunidade "Belíssima Top Team" da qual faço parte.

posted by PARRIOT PB | 12:38 PM
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Segunda-feira, Junho 26, 2006  

Episódio de hoje:PATRIOTISMO NA HORA CERTA

Não que eu estivesse torcendo contra o Brasil nesta Copa, mas se tem algo que me incomoda nesse período é o excesso de patriotismo que aparece não sei de onde.

Todas as casas enfeitadas, carros pintados, bandeirinhas pelas janelas, camisetas com as cores do Brasil vendidas como água no deserto...O patriotismo brasileiro aparece de quatro em quatro anos e é só. É como se a Copa do Mundo fosse decidir o futuro do país.

Mas acreditem, caros amigos, não vai. O Brasil pode até ganhar a Copa, mas daqui a dois meses tudo será esquecido. Será nos bolsos dos jogadores que refletirá a vitória, a auto-estima do povo se dissipirá feito grama de campo de futebol. E no final, voltaremos a assistir no Jornal Nacional as cafajestagens dos nossos políticos, a violência em todo o país, a miséria, a deficiência da educação e às metáforas do nosso presidente.

A nova novela das oito mostrará em suas primeiras cenas um arrastão no Rio de Janeiro. E se bem nos lembrarmos, tivemos muitas mortes pelo país em função das rebeliões nas cadeias. Ninguém se lembra disso.

Eu me pergunto todos os dias desde que essa Copa começou se o patriotismo do brasileiro só aparece em época de festa. Eu tenho me perguntado onde está o nosso patriotismo em época de eleição. Por que utilizamos o nosso poder como se estivéssemos escolhendo o prato do dia?

Nosso patriotismo é fora de hora. Não estou renegando a festa da Copa do Mundo, nem a felicidade de ver o Brasil campeão. Estou chamando atenção para o fato de que daqui a três meses estaremos nas urnas escolhendo presidente, governador, deputados..Sabe? Os mesmos que escolhemos nas últimas eleições e que são denunciados todos os dias com escândalos diferentes.

Estou convidando a todos para usar o voto como arma de verdade. Analisar bem em quem vamos votar. Sabia que se todos votarem nulo, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) é obrigado a convocar novas eleições e os candidatos não podem ser os mesmos?

Estou convidando a todos para estudarem as leis que regem nosso país e tomar uma posição mais firme.

Só este ano, já pagamos mais de R$ 370 bilhões de reais em impostos e muito pouco foi feito. Nossas estradas são vergonhosas, o serviço público é de se jogar no lixo.

Amigos, não deixemos que a Copa do Mundo seja desculpa para esquecermos que nossa casa não está organizada.

Texto do dia

É
de Gonzaguinha


É
a gente quer valer o nosso amor
a gente quer valer nosso suor
a gente quer valer o nosso humor
a gente quer do bom e do melhor
a gente quer carinho e atenção
a gente quer calor no coração
a gente quer suar mas de prazer
a gente quer é ter muita saúde
a gente quer viver a liberdade
a gente quer viver felicidade

É
a gente não tem cara de panaca
a gente não tem jeito de babaca
a gente não está com a bunda exposta na janela pra passar a mão nela

É
a gente quer viver pleno direito
a gente quer viver todo respeito
a gente quer viver uma nação
a gente quer é ser um cidadão

É...


Imagem do dia



Esse país é lindo demais pra ser tratado com tanta indiferença.

posted by PARRIOT PB | 1:58 PM
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Sábado, Junho 24, 2006  

Mas tudo pode ser bom.

Um ótimo final de semana a todos.



Orchid de Fleur Olby

posted by PARRIOT PB | 12:12 PM
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Sexta-feira, Junho 23, 2006  

Episódio de hoje:O FUTURO QUE NOS ESPERA

Assistindo ao programa político, não pude deixar de rir ao ouvir o discurso eleitoreiro de Geraldo Alckmin. Ouvir aquele papo de "fui pobre", "Geraldo se espelhou em JK" e bla bla bla.

Acho triste perceber que os políticos que querem governar nosso país são marketeiros e a única coisa que buscam é um votinho.

Li entrevista do Marcola no jornal "O Globo" e o que vi foi um bandido inteligente e bem preparado politicamente. Uma pessoa que debocha de nossa sensação de insegurança e do despreparo dos nossos governantes.

Vivemos numa democracia falsa, numa democracia de consumo, onde o que importa é o voto a cada 4 anos. Todos riem de todos e a situação vai se agravando. Não adianta ter boas intenções, não adianta dar esmolinhas e achar que está tudo resolvido porque não está.

Enquanto acreditarmos que se não está na nossa casa, estamos em segurança, vamos ajudando a piorar a situação. A violência está sim na nossa porta. Em todo lugar e isso é triste. É triste porque moramos num país maravilhoso, mas que está alastrado de políticos incapazes e cidadãos inertes que não exigem o que precisam exigir.

Talvez o meu papo esteja politicamente correto demais. Estou assustado com o que vem acontecendo ao nosso redor. Estamos destruindo nosso planeta pouco a pouco. O mundo é dos espertos, anti-éticos, pessoas que acreditam que dessa forma vão alcançar o sucesso.

Estamos vivendo dentro de uma novela da Janete Clair e acreditando que sempre há um final feliz, mas infelizmente nessa novela não há final feliz se não tomarmos uma atitude mais séria.

Texto do dia

Entrevista ao Jornal O GLOBO do Marcola, o cara que mandou fuzilar pessoas nas ruas de São Paulo.

- "Você é do PCC?"

- Mais que isso, eu sou um sinal de novos tempos. Eu era pobre e invisível... vocês nunca me olharam durante décadas... E antigamente era mole resolver o problema da miséria... O diagnóstico era óbvio: migração rural, desnível de renda, poucas favelas, ralas periferias... A solução que nunca vinha... Que fizeram? Nada. O governo federal alguma vez alocou uma verba para nós? Nós só aparecíamos nos desabamentos no morro ou nas músicas românticas sobre a "beleza dos morros ao amanhecer", essas coisas...

Agora, estamos ricos com a multinacional do pó. E vocês estão morrendo de

medo... Nós somos o início tardio de vossa consciência social... Viu? Sou culto... Leio Dante na prisão...

- Mas... a solução seria...

- Solução? Não há mais solução, cara... A própria idéia de "solução" já é um erro. Já olhou o tamanho das 560 favelas do Rio? Já andou de helicóptero por cima da periferia de São Paulo? Solução como? Só viria com muitos bilhões de dólares gastos organizadamente, com um governante de alto nível, uma imensa vontade política, crescimento econômico, revolução na educação, urbanização geral; e tudo teria de ser sob a batuta quase que de uma "tirania esclarecida", que pulasse por cima da paralisia burocrática secular, que passasse por cima do Legislativo cúmplice (Ou você acha que os 287 sanguessugas vão agir? Se bobear, vão roubar até o PCC...) e do Judiciário, que impede punições. Teria de haver uma reforma radical do processo penal do país, teria de haver comunicação e inteligência entre polícias municipais, estaduais e federais (nós fazemos até conference calls entre presídios...) E tudo isso custaria bilhões de dólares e implicaria numa mudança psicossocial profunda na estrutura política do país.

Ou seja: é impossível. Não há solução.

- Você não têm medo de morrer?

- Vocês é que têm medo de morrer, eu não. Aliás, aqui na cadeia vocês não

podem entrar e me matar... mas eu posso mandar matar vocês lá fora... Nós somos homens-bomba. Na favela tem cem mil homens-bomba...

Estamos no centro do Insolúvel, mesmo... Vocês no bem e eu no mal e, no meio, a fronteira da morte, a única fronteira.
Já somos uma outra espécie, já somos outros bichos, diferentes de vocês. A morte para vocês é um drama cristão numa cama, no ataque do coração... A morte para nós é o presunto diário, desovado numa vala...Vocês intelectuais não falavam em luta de classes, em "seja marginal, seja herói"?

Pois é: chegamos, somos nós! Ha, ha... Vocês nunca esperavam esses guerreiros do pó, né? Eu sou inteligente. Eu leio, li 3.000 livros e leio Dante... mas meus soldados todos são estranhas anomalias do desenvolvimento torto desse país. Não há mais proletários, ou infelizes ou explorados. Há uma terceira coisa crescendo aí fora, cultivado na lama, se educando no absoluto analfabetismo, se diplomando nas cadeias, como um monstro Alien escondido nas brechas da cidade. Já surgiu uma nova linguagem.

Vocês não ouvem as gravações feitas "com autorização da Justiça"? Pois é.

É outra língua. Estamos diante de uma espécie de pós-miséria. Isso. A pós-miséria gera uma nova cultura assassina, ajudada pela tecnologia, satélites, celulares, internet, armas modernas. É a merda com chips, com megabytes. Meus comandados são uma mutação da espécie social, são fungos de um grande erro sujo.

- O que mudou nas periferias?

- Grana. A gente hoje tem. Você acha que quem tem US$40 milhões como o Beira-Mar não manda?

Com 40 milhões a prisão é um hotel, um escritório... Qual a polícia que vai queimar essa mina de ouro, tá ligado? Nós somos uma empresa moderna, rica. Se funcionário vacila, é despedido e jogado no "microondas"... ha, ha...

Vocês são o Estado quebrado, dominado por incompetentes. Nós temos métodos ágeis de gestão. Vocês são lentos e burocráticos. Nós lutamos em terreno próprio. Vocês, em terra estranha. Nós não tememos a morte. Vocês morrem de medo. Nós somos bem armados. Vocês vão de três-oitão. Nós estamos no ataque. Vocês, na defesa. Vocês têm mania de humanismo. Nós somos cruéis, sem piedade.

Vocês nos transformam em superstars do crime. Nós fazemos vocês de palhaços. Nós somos ajudados pela população das favelas, por medo ou por amor. Vocês são odiados. Vocês são regionais, provincianos. Nossas armas e produto vêm de fora, somos globais.

Nós não esquecemos de vocês, são nossos fregueses. Vocês nos esquecem assim que passa o surto de violência.

- Mas o que devemos fazer?

- Vou dar um toque, mesmo contra mim. Peguem os barões do pó! Tem deputado, senador, tem generais, tem até ex-presidentes do Paraguai nas paradas de cocaína e armas. Mas quem vai fazer isso? O Exército? Com que grana? Não tem dinheiro nem para o rancho dos recrutas...

O país está quebrado, sustentando um Estado morto a juros de 20% ao ano, e o Lula ainda aumenta os gastos públicos, empregando 40 mil picaretas. O Exército vai lutar contra o PCC e o CV? Estou lendo o Klausewitz, "Sobre a guerra". Não há perspectiva de êxito... Nós somos formigas devoradoras, escondidas nas brechas... A gente já tem até foguete antitanques... Se bobear, vão rolar uns Stingers aí... Pra acabar com a gente, só jogando bomba atômica nas favelas... Aliás, a gente acaba arranjando também "umazinha", daquelas bombas sujas mesmo... Já pensou? Ipanema radioativa?

- Mas... não haveria solução?

- Vocês só podem chegar a algum sucesso se desistirem de defender a "normalidade". Não há mais normalidade alguma. Vocês precisam fazer uma autocrítica da própria incompetência. Mas vou ser franco... na boa... na moral... Estamos todos no centro do Insolúvel.

Só que nós vivemos dele e vocês... não têm saída. Só a merda. E nós já trabalhamos dentro dela. Olha aqui, mano, não há solução. Sabem por quê?

Porque vocês não entendem nem a extensão do problema. Como escreveu o divino Dante: "Lasciate ogni speranza voi che entrate!" Percam todas as esperanças. Estamos todos no inferno.

MARCOLA


Imagem do dia


Violência

posted by PARRIOT PB | 4:43 PM
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Quarta-feira, Junho 21, 2006  

posted by PARRIOT PB | 5:26 PM
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Segunda-feira, Junho 19, 2006  

Episódio de hoje:IMPACIÊNCIA ou HORIZONTE PARADO

Sei que Belo Horizonte tem suas vantagens, mas é que conhecendo outras cidades como Rio de Janeiro e São Paulo fica óbvio o quanto estas estão a mil na frente do fusquinha BH.

Em Belo Horizonte há uma preguiça pra que as coisas aconteçam, há uma falta de audácia, há uma desconfiança eterna sobre as coisas que a tornam como é: parada.

Pra mim, andar em Belo Horizonte, pelos prédios comerciais, dá esta exata impressão. Olhar para o jornal é desestimulante: poucas notícias interessantes, poucos eventos culturais.

Acho que chega um momento na vida que a gente olha pra trás e tenta descobrir se o que fez tem sentido ou não. E estou assim "como um mês que não chega no meio" porque pouco fiz. Porque fiz mais escolhas erradas do que corretas em minha vida e de repente percebi que o tempo está passando rápido demais.

Não estou aqui para me lamentar. Apenas para dizer que estou triste e ao mesmo tempo ansioso. Agora sei que não vou sozinho. Desculpem os amigos belorizontinos: mas não vejo a hora de ir embora.
Eu só preciso de malas, dos meus Cds e Livros, do meu amor do meu lado e de uma caminha na casa dos meus pais.

Texto do dia

VAMOS FUGIR
(Gimme Your Love, de Gilberto Gil e Liminha)
versão de Gilberto Gil


Vamos fugir
Deste lugar, baby
Vamos fugir
Tô cansado de esperar
Que você me carregue
Vamos fugir
Proutro lugar, baby
Vamos fugir
Pronde quer que você vá
Que você me carregue
Pois diga que irá
Irajá, Irajá
Pronde eu só veja você
Você veja a mim só
Marajó, Marajó
Qualquer outro lugar comum
Outro lugar qualquer
Guaporé, Guaporé
Qualquer outro lugar ao sol
Outro lugar ao sul
Céu azul, céu azul
Onde haja só meu corpo nu
Junto ao seu corpo nu
Vamos fugir
Proutro lugar, baby
Vamos fugir
Pronde haja um tobogã
Onde a gente escorregue
Todo dia de manhã
Flores que a gente regue
Uma banda de maçã
Outra banda de reggae.


Ansiedade

posted by PARRIOT PB | 5:09 PM
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Quarta-feira, Junho 14, 2006  

posted by PARRIOT PB | 6:38 PM
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Segunda-feira, Junho 12, 2006  

Episódio de hoje:VELHA RECLAMONA


Sim, eu sei. Poupem-me dos comentários sórdidos. Eu estou mesmo muito reclamão, igualzinho aquelas velhinhas reclamonas que falam mal do tio, do cachorro, da vida, enfim, de tudo.

Mas realmente ando bastante incomodado com certas coisas que pra mim não estão nada certas.

Vejam se não tenho razão.

Na procura por um apartamento, deixei a documentação para aprovação numa imobiliária. Duas semanas se passaram e nada de retorno. Ligava todo dia e nada... Aí, num fatídico dia, o corretor simplesmente me disse que outra pessoa trouxe a documentação toda aprovada e portanto passaram na minha frente. Levou duas semanas para me falar isso. É óbvio que eu baixei "O" barraco na imobiliária, xinguei o sujeito de moleque pra baixo e ainda achei pouco.

No mesmo dia, (aquele não era o meu dia), fui ao médico para fazer exames gerais através do convênio médico. Chegando lá, a moça do convênio pede para falar comigo ao telefone, já que a recepcionista afirma que não poderia me atender. "Olha, senhor, infelizmente, esta clínica não tem mais convênio conosco". Outro barraco, desta vez por telefone, coisas singelas como: "Não quero indicação de outro médico", "Este problema não é meu", "Meu relacionamento não é com a clínica e sim com o convênio, então resolvam vocês".

Fui assistir a um espetáculo chatésimo que atrasou 30 minutos e eu paguei por isso. Em seguida, fui com alguns amigos para comer uma pizza. Pedimos um suco, mas a moça do Caixa não escutou e portanto não recebemos o suco e além disso, a pizza veio fria.

Acho que temos um problema sério no Brasil e diz respeito a atendimento. Não sei como é em outros países, então não me venham com "Na Europa isso não acontece". Sei que é mentira. Mas nós ainda não percebemos que pagamos muito caro pelos serviços e eles são mal feitos. Da TV a Cabo ao atendimento numa lanchonete. Do celular ao banco. Temos que reclamar e deixar bem claro que se não fosse o nosso "rico dinheirinho" aquela espelunca provavelmente estaria fechada.

É tudo na base do "jeitinho". E eu não quero mais saber de jeitinho. E continuarei falando: Poupem-me!

Mas, como nem tudo são espinhos, feriado vem aí. E lá vou eu pra Sampa. Jantar no Bixiga, tomar chá no Ibirapuera e... Hopi Hari!
Certamente (espero que sim), voltarei mais tranquilo e teremos posts menos agressivos...

Texto do dia

Sampa
Caetano Veloso


Alguma coisa acontece no meu coração
que só quando cruzo a Ipiranga e a Avenida São João
é que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi
da dura poesia concreta de tuas esquinas
da deselegância discreta de tuas meninas

Ainda não havia para mim Rita Lee, a tua mais completa tradução
Alguma coisa acontece no meu coração
que só quando cruzo a Ipiranga e a Avenida São João

Quando eu te encarei frente a frente não vi o meu rosto
chamei de mau gosto o que vi
de mau gosto, mau gosto
é que Narciso acha feio o que não é espelho
e a mente apavora o que ainda não é mesmo velho
nada do que não era antes quando não somos mutantes

E foste um difícil começo
afasto o que não conheço
e quem vem de outro sonho feliz de cidade
aprende de pressa a chamar-te de realidade
porque és o avesso do avesso do avesso do avesso

Do povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas
da força da grana que ergue e destrói coisas belas
da feia fumaça que sobe apagando as estrelas
eu vejo surgir teus poetas de campos e espaços
tuas oficinas de florestas, teus deuses da chuva

Panaméricas de Áfricas utópicas, túmulo do samba
mais possível novo quilombo de Zumbi
e os novos baianos passeiam na tua garoa
e novos baianos te podem curtir numa boa.


Imagem do dia


São Paulo, aí vamos nós!

posted by PARRIOT PB | 3:53 PM
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Sábado, Junho 10, 2006  

DESCARACTERIZAÇÃO DA PRAÇA DA LIBERDADE, LEIAM POR FAVOR!!!!!!!!!!!!!!


Estou lhes enviando um texto-denúncia sobre o projeto de total descaracterização da Praça da Liberdade que está sendo feito pelo nosso digníssimo governador Aécio Neves.
Como todos devem saber, os prédios das secretarias da Praça da Liberdade são tombados INTEGRALMENTE pelo IEPHA e pelo Município de Belo Horizonte. São edificações que datam do ano da inauguração da cidade e encontram-se completamente intocadas!!!
Na sua ânsia de imitar o JK, nosso governador quer transformar aqueles prédios em espaços culturais e, para tal, precisa demolir paredes tombadas, com pinturas, mármores e vitrais maravilhosos, bem como intervir na volumetria dos edifícios com estruturas "modernas", em aço e madeira.
Já houve tentativas de denúncias de todas as formas e nada se conseguiu. A imprensa se recusa a publicar o assunto e o ministério público, já acionado, está por demais moroso (grande surpresa!)....
Portanto nossa campanha terá que ser " boca a boca". Encaminhem, por favor , a todas as pessoas sensíveis ao patrimônio e à História de Beagá.

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Desafinando a Orquestra ou Da desastrada tentativa de implantação da Sede da Gloriosa Orquestra Sinfônica de MG e do Espaço Cultural Vale do Rio Doce na antiga Secretaria de Estado da Fazenda - Praça da Liberdade

Está em andamento a equivocada intenção, por parte do Governo Estadual de Minas Gerais, de "enfiar" a Sede da Sinfônica dentro da antiga Secretaria de Estado da Fazenda, tombada pelo Instituto Estadual de Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais - IEPHA/MG, desde 1977 e pelo Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural do Município de Belo Horizonte - CDPCM/BH, desde 1991, 1994, 1998.

É realmente feliz a idéia de se dotar a Orquestra Sinfônica de uma sede digna, mas o problema é que a antiga Secretaria, em bom estado de preservação até agora, não comporta o programa configurado como está no projeto proposto, objeto de concurso recente, sem acarretar a destruição e descaracterização da mesma, na contramão das leis que a protegem.

Não entrando no mérito da discutível privatização dos espaços públicos promovida pelo denominado "Circuito Cultural da Praça da Liberdade", subjacente aos fatos, o equívoco da Sede da Sinfônica teve início na elaboração do edital do concurso, promovido pelo Instituto dos Arquitetos do Brasil, seção Minas Gerais - IAB/MG que, à revelia de decisões anteriores da entidade, aderiu alegremente ao "circuito". Inexplicáveis "falhas" constam no edital que, "ignorando" o tombamento municipal, não consultou as instâncias responsáveis por ele e, mesmo com a presença de representante do IEPHA/MG na comissão organizadora, permitiu que o projeto vencedor do concurso contrariasse as próprias diretrizes de tombamento. Não está em questão a qualidade do projeto vencedor, sem dúvida meritória do ponto de vista do edital mas, o curioso é que, entre os projetos finalistas existisse um que, pela solução construtiva proposta, utilizando o subsolo e contrariando o edital (!), permitiria que a ocupação fosse feita de uma maneira mais adequada e respeitosa com as diretrizes de preservação - mas
não foi o escolhido.

O projeto vencedor foi encaminhado no início deste ano (janeiro de 2006) ao CDPCM/BH para análise e, desde então, tem suscitado acirrada discussão, ainda inconclusa. O espantoso, em se tratando de uma democracia, é que, por absoluta falta de divulgação na imprensa, a população está alheia ao debate sobre um assunto que lhe é especialmente caro: a preservação de um dos poucos remanescentes da arquitetura original da cidade - o conjunto histórico da Praça da Liberdade. Em ocasiões anteriores em que a praça esteve sob ameaça de descaracterização pela impropriedade do Estado (2002 - caso dos túneis sob a Praça) a imprensa cumprindo seu imprescindível papel, contribuiu para a generalização do debate e a sociedade civil organizada rejeitou o projeto. O Estado então, respeitosa e democraticamente, se curvou ante os verdadeiros donos da cidade: os seus cidadãos.

Nos próximos dias o caso, temporariamente suspenso por recursos protocolares, voltará a pauta para a decisão final em reunião do Conselho Municipal - na sede da Gerência de Patrimônio Histórico da PBH.

Não se questiona a validade de se implantar novos equipamentos culturais na cidade, pelo contrário, mas será que para que isto se concretize é necessário dilapidar o já exígüo patrimônio histórico de Belo Horizonte?

Não existem edificações em outros pontos da cidade realmente precisando serem restauradas e requalificadas ou espaços disponíveis em áreas degradadas ou carentes onde poderíamos construir equipamentos dessa natureza, com tecnologia, arte e mais responsabilidade social?

Belo Horizonte - 19/05/2006

Sindicato dos Arquitetos de Minas Gerais


Imagem do dia:

posted by PARRIOT PB | 12:18 PM
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Sexta-feira, Junho 09, 2006  

Episódio de hoje: SOBRE APARTAMENTOS E CORRETORES


Estou numa busca desenfreada por um apartamento pra alugar e acabo me deparando com algumas situações, no mínimo, inusitadas.

Olhar apartamento é muito interessante porque esbarramos em algo muito objetivo: o jeito de ser de cada um.

Por exemplo, conheci um apartamento que tinha quatro trancas na porta da entrada, além da tetra-chave e da chave normal. Não precisa ser muito esperto pra perceber que a dona do apartamento era uma neurótica, paranóica ou louca.

Mas o mais interessante foi o último que visitei. O apartamento tem uma sala amarelo-ovo - horrível, uma copa minúscula com uma parede vinho-escuro, um tal de "estuque" caríssimo que a proprietária fez. Ainda estava na porta uma cortininha de tecido manchado, estilo hippie. O banheiro social tem uma pia de bronze horrenda.

Nos quartos, cada um com sua sacada. Na porta que dá acesso a uma das sacadas foram arrancados diversos cartazes de filmes, no outro quarto trezentos adesivos de sei-la-o-que.

E o mais "interessante". No teto, papel de parede com cartazes de shows de rock (Rolling Stones, Led Zeppelin, The Who). Se ela aceita retirar isso e pintar as paredes coloridas? Não.

Perfil: louca, hippie e provavelmente emaconhada.

Desculpem o preconceito, mas sou obrigado a dizer o que disse no outro post: Poupem-me!

Imagem do dia:


Aproveitem o final de semana!

posted by PARRIOT PB | 6:02 PM
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Quinta-feira, Junho 08, 2006  

8 JEITOS DE MUDAR O MUNDO


Meta 8


Estabelecer uma Parceria Mundial para o Desenvolvimento

Muitos países pobres gastam mais com os juros de suas dívidas do que para superar seus problemas sociais. Já se abrem perspectivas, no entanto, para a redução da dívida externa de muitos Países Pobres Muito Endividados (PPME). Os objetivos levantados para atingir esta meta levam em conta uma série de fatores estruturais que limitam o potencial para o desenvolvimento ¿ em qualquer sentido que seja ¿ da imensa maioria dos países do sul do planeta. Entre os indicadores escolhidos estão a ajuda oficial para a capacitação dos profissionais que pensarão e negociarão as novas formas para conquistar acesso a mercados e a tecnologias abrindo o sistema comercial e financeiro não apenas para grandes países e empresas, mas para a concorrência verdadeiramente livre de todos.

Exemplos de possíveis ações empresariais e associativas com o poder público, ONGs, grupos representativos locais e fornecedores

Programas de apoio à formação e capacitação técnica profissional dos jovens menos favorecidos, visando sua inclusão no mercado de trabalho, que podem ser desenvolvidos nas empresas, associações e comunidade; Mobilização de voluntários para criarem situações de aprendizagem e gestão em suas áreas de formação; Apoio a programas de geração de novas oportunidades de absorção e recrutamento de jovens nas pequenas e médias empresas; Apoio a programas de parceiras para a inclusão digital da população menos favorecida; Programas de formação e disseminação das novas tecnologias, em especial, da informação, que promovam também a inclusão de portadores de deficiência; Doações de equipamentos novos ou usados a escolas, bibliotecas, instituições voltadas ao atendimento a menores e jovens carentes; Estímulo a programas que contemplem o empreendedorismo e auto-sustentação; Ações que promovam ia inserção das comunidades carentes na cadeia produtiva, através de financiamento direto de suas atividades, com a disponibilização alternativa da política de microcrédito.


Fonte: PNUD - www.pnud.org.br

posted by PARRIOT PB | 11:48 AM
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Quarta-feira, Junho 07, 2006  

Episódio de hoje: CUIDE DO SEU NARIZ


Há uns poucos anos atrás eu estive conversando com uma amiga e comentávamos a respeito do programa Big Brother. Ela usou um termo bastante interessante para o fenômeno, disse que era a institucionalização do privado.
Concordei com ela. E não assisti ao Big Brother. Pouco tempo depois com a desculpa de exercitar minha futilidade assisti a uma edição, a mais famosa, aquela da Pink, Jean-Bicha e Grazi.

Aí veio o Orkut. E sem perceber, também eu institucionalizei o meu privado. Meus scraps ficaram ali abertos. Todos viam quem deixavam beijos, quem mandava mensagens, quem queria sair comigo, quem me achou bonito ou idiota. Todos que quisessem viam tudo. E minha vida foi se tornando um Big Brother particular.

E comecei a me sentir incomodado com isso. Sem perceber eu acabei caindo nas garras das tendências menos saudáveis. Essa coisa de ser pessoa pública entrou na nossa mente como algo extremamente bom. Queremos ser celebridades, nem que seja do bairro em que vivemos. E isso passou a me incomodar. Ao menos eu não caí na tentação de criar uma comunidade chamada: "Eu sou o cara" e convidar amigos a ingressarem na mesma.

Precisamos realmente tomar muito cuidado e exercitar a nossa mente pra que as coisas não se banalizem a tal ponto. Já banalizamos coisas demais. E o que está ocorrendo é a tentativa de chamar a atenção. Não foi à toa que aconteceu aquela barbárie do MLST em Brasília na tarde de ontem. A barbárie é um dos sintomas da falta de civilidade. E ela está nos nossos dias, ao nosso alcance. A violência, a falta de respeito, a falta de consciência social e ambiental.

E para piorar, o Brasil vive a cada quatro anos a banalização da democracia. Por que a Copa do Mundo tem que coincidir com as eleições presidenciais e de governador? Só no Brasil pra ter essa falta de sorte. Pra completar, um dos candidatos à presidência - Alckimin (PSDB-SP) solta que a culpa do ocorrido de ontem em Brasília é do Governo Federal que "promoveu o diálogo com os movimentos sociais". Então é pra fazer o quê? Fingir que eles não existem? Poupem-me!

Texto do dia:

A banalização como virtude

Ivo Lucchesi

Em certo nível, dada a freqüência de episódios bizarros tanto patrocinados por altos escalões governamentais quanto alimentados pelo agitado showbiz, a reação tende a substituir o espanto por um certo estado complacente que beira a indiferença. Já este modo quase inercial constitui em si preocupação. Todavia, algo de mais grave ainda suplanta: a conduta dos meios de comunicação quanto ao tratamento dispensado à esfera acadêmica. É nesse ponto que o retorno ao tema se impõe: é uma retomada pelo acréscimo de ingrediente novo.

A revista CartaCapital (edição de 30/3/05) ofereceu atraente matéria de capa: "A vulgaridade em alta". Como leitor habitual da mencionada revista, direto fui à reportagem assinada por Pedro Alexandre Sanches. Ali consta um previsível mapeamento das tendências de consumo quanto ao que oferece a "indústria do entretenimento" ¿ para evitarmos a tradicionalizada expressão, cunhada por Theodor Adorno, "indústria cultural", que, pelo adjetivo, não mais se presta para tipificar algumas produções.

A matéria, como um todo, procura agenciar diversos ângulos, desde considerações de caráter comportamental até sentenciamentos contundentes. A princípio, fica a idéia de haver lugar para todos, o que é salutar para a respiração democrática.

Numa sociedade livre, todos os segmentos e todas as tendências devem ser assegurados. O problema, porém, é que o princípio em si não é respeitado, possibilitando ondas sucessivas de "invasões" com a força de modelagens. Nesse ponto, tem início o processo de descaracterização das liberdades de representação, passando-se ao arbítrio da massificação, com todo o perigo do que isso sinaliza para a preservação e qualificação da democracia. E não precisamos invocar aqui o testemunho do pensamento de Walter Benjamin.

É sabido que o casamento entre discurso midiático e jargão acadêmico, principalmente no modelo vigente no Brasil, não gera bons frutos. Há incompatibilidade em todos os níveis: os registros não se afinam, tampouco os propósitos, o que torna o resultado final inoperante ou perigosamente transfigurado. Sob o até louvável esforço de cobrir diferentes visões, na verdade esse modelo de reportagem (mescla de recorte comportamentalista e sofisticação intelectual) dificilmente escapa de uma ideologização da qual sai chamuscada ou esvaziada a reflexão acadêmica propriamente dita, redundando num produto esquizofrenizado.

Vamos ilustrar o que ocorreu com certo depoimento cuja credencial representa o segmento acadêmico:

"Por que não posso consumir ¿proibidão¿, mas posso consumir Arnold Schwarzenegger, ¿Duro de matar 5¿? A pulsão de morte não está só na favela, está no capitalismo, no mapa de desigualdade social, na relação empregado-patrão. A única novidade em termos de cultura brasileira contemporânea é que as classes inferiores começam a se expressar em pé de igualdade com as superiores. O preconceito está sendo rompido de dentro, da favela para fora. Essa nova consciência social não veio pela universidade nem pelo Estado. Veio pelo hip-hop, pelo funk, pela própria favela, que pode até ser modelo de política pública. O Estado aprende mais com esses movimentos comunitários que o contrário". (p. 59)

Há, no depoimento, nítido timbre reflexivo, analítico. Todavia, quem o externa tem plena ciência de que deve ser conciso, claro e interessante. O problema é saber se essa fórmula se torna viável, sem comprometer-se o principal: a qualidade crítica da reflexão.

Que o teor acrítico esteja, há algum tempo, configurado nos setores midiáticos (impressos e eletrônicos) é fato sobejamente conhecido. Porém, que o perfil seja autenticado no âmbito acadêmico é um acontecimento a sinalizar gravíssimas perspectivas. Mais sério ainda é o quadro, se levarmos em conta que a publicação da matéria coincidiu com a semana na qual um professor universitário se torna a "celebridade" contemplada com a "módica" quantia de 1 milhão de reais, graças à sua participação "vitoriosa" num dos "produtos" mais abomináveis e insuportáveis da TV brasileira. Deixemos, contudo, a adjetivação em favor da argumentação.

Primeiro ponto a destacar no depoimento é o sofisma: quem disse haver diferença entre consumir "proibidão" e "Duro de matar 5"? Há alguma dúvida quanto a serem dois subprodutos? Segundo ponto: é claro que a pulsão de morte é parte constitutiva do capitalismo, não bastasse mencionar O anti-édipo: capitalismo e esquizofrenia, de Gilles Deleuze e Félix Guattari, ou mesmo, nas reflexões anteriores de Herbert Marcuse, em Eros e civilização: uma interpretação filosófica do pensamento de Freud, para não mencionarmos as próprias formulações de Freud, tanto em O mal-estar na civilização quanto em Além do princípio de prazer e O futuro de uma ilusão.

Nenhuma dessas fontes, entretanto, suporta o que, em nome delas, se tente afirmar quanto ao abastardamento da cultura, a exemplo do que o terceiro ponto declara: a expressão igualitária das "classes inferiores" em relação às "classes superiores".

Para início, já é problemático o emprego dos adjetivos ("inferiores" / "superiores"). Acredito que criticamente melhor convenha o uso de "cultura" x "subcultura". Feito o ajuste semântico, cabe assinalar que o depoimento dá a entender que agora as "classes inferiores" se estão expressando? Em que período da história comunidades da periferia (julgo classificação mais adequada que "classes inferiores") ficaram sem auto-expressão? O problema é outro: visibilidade e invasão.

A mídia atual, na incontida ânsia de angariar público, vem sistematicamente difundindo subprodutos cuja assimilação por parte de segmentos das camadas média e alta encontra plena aceitação, fato decorrente da desqualificação cultural de quem ascendeu apenas economicamente. Trata-se, pois, de outro sofisma: onde está o "pé de igualdade" assinalado no depoimento? Em que lugar do Brasil a qualidade cultural está em regime de igualdade com a exibição de subproduto? Jornais, revistas, emissoras de rádio e TV conferem iguais espaços e tempos? Sabemos que se trata exatamente do contrário. A cultura se encontra asfixiada e sitiada, em oposição à avalanche do entretenimento simplório.

Em outras épocas, havia um sistema educacional (tanto público quanto particular) que se ocupava de elevar o nível de todos os segmentos. Quem estava culturalmente deficitário buscava qualificar-se; quem culturalmente estava situado não fazia concessões de qualidade. Nesse mundo de outrora, um professor universitário sabia que dignidade conferir ao exercício de sua profissão e à condução de sua carreira. Como tal, não se prestaria a "experiências" infantilóides. A própria cultura de massa mantinha certa filtragem.

A culpa, portanto, não reside na oposição "cultura de massa" x "cultura erudita". Quando há qualidade, a fronteira se torna flexível. Quando, porém, há processo degenerativo, a fronteira desaparece para entronizar o subproduto. A música brasileira, até pouco tempo, em seu amplo arco de variações, estava repleta de requintadas composições com livre trânsito em distintos registros. Enfim, espera-se que o pensamento acadêmico quando se apresenta ao modelo midiático não pode transigir, sob pena de desfigurar-se.

O problema que, a rigor, poucos aceitam publicamente assumir ¿ até para não passarem por elitistas, preconceituosos e antidemocráticos ¿ é que o país se está esgarçando em todos os níveis: político, educacional, cultural e ético. Quem tem discurso crítico não dispõe de canais para expressão. Quem predominantemente os ocupa tende a oscilar entre o tom demagógico e o auto-investimento na imagem (marketing pessoal). O consumo de "produtos do entretenimento" está nivelado por baixo, tornando os segmentos societários indiferenciados.

Vale dizer: o Brasil se caracteriza por um modelo capitalista (na sua versão mais perversa), no tocante a classes econômicas, e por um modelo de vulgarização totalitária, quanto a padrão cultural. Nessa bastarda combinação, os cérebros movidos a inteligência vivem confinados, discriminados e recusados. As autoridades públicas, em lugar de promoverem políticas de inclusão, acompanhadas de qualificação cultural, fazem continhas na maquininha de calcular que tanto somam arrecadações quanto arrebanham votos.

Por fim, a matéria de CartaCapital, que parecia conclamar o leitor a uma reportagem crítica, na verdade reafirma tendências, injetando, no miolo do texto, declarações incômodas cujo efeito é neutralizado por depoimentos que as sucedem. No mais, o enfoque contorna a questão, como dita o modelo, fechando com seguinte "pérola de frase": "Nesse rebolado, o Brasil vai mostrando suas muitas caras".

De minha parte, opto por encerrar o artigo com frase de perfil bem diferente: "Um dia, infelizmente, pelas tantas escolhas erradas, conheceremos o monstro que, passo a passo, criamos".


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posted by PARRIOT PB | 11:14 AM
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Segunda-feira, Junho 05, 2006  

8 JEITOS DE MUDAR O MUNDO


Meta 7

Garantir a sustentabilidade ambiental


Um bilhão de pessoas ainda não têm acesso a água potável. Ao longo dos anos 90, no entanto, quase o mesmo número de pessoas ganharam acesso à água bem como ao saneamento básico. A água e o saneamento são dois fatores ambientais chaves para a qualidade da vida humana. Ambos fazem parte de um amplo leque de recursos naturais que compõem o nosso meio ambiente ¿ florestas, fontes energéticas, o ar e a biodiversidade ¿ e de cuja proteção dependemos nós e muitas outras criaturas neste planeta. Os indicadores identificados para esta meta são justamente "indicativos" da adoção de atitudes sérias na esfera pública. Sem a adoção de políticas e programas ambientais, nada se conserva em grande escala, assim como sem a posse segura de suas terras e habitações, poucos se dedicarão à conquista de condições mais limpas e sadias para seu próprio entorno.

Exemplos de possíveis ações empresariais e associativas com o poder público, ONGs, grupos representativos locais e fornecedores:

Apoio a iniciativas na implementação de práticas ambientais sustentáveis e responsáveis, através da conscientização e disseminação das informações nas escolas, comunidades, empresas; Programas de mobilização coletiva para estímulo à reciclagem e reutilização de materiais; Ações de Voluntariado na comunidade com vistas à educação e sensibilização da população, com interferência direta nas associações e órgão representativos, escolas, parques, reservas, etc.; Suporte a projetos de pesquisa e formação na área ambiental; Promoção de concursos internos ou locais que estimulem o debate e a conscientização individual sobre o meio ambiente e a importância da colaboração de cada um; Desenvolvimento de programas parceiros no tratamento de resíduos procurando reverter o resultado em benefício de comunidades carentes; Promoção de "econegócios" (negócios sustentáveis), que preservam gerando ocupação e renda e melhorando a qualidade de vida das populações.



Fonte: Site PNUD

posted by PARRIOT PB | 12:04 PM
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Sexta-feira, Junho 02, 2006  

Eu ainda te amo..

posted by PARRIOT PB | 5:19 PM
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Samba em preludio
(Baden Powell e Vinicius de Moraes)


Eu sem você não tenho porquê
Porque sem você não sei nem chorar
Sou chama sem luz, jardim sem luar
Luar sem amor, amor sem se dar
Eu sem você sou só desamor
Um barco sem mar, um campo sem flor
Tristeza que vai, tristeza que vem
Sem você, meu amor, eu não sou ninguém
Ah, que saudade
Que vontade de ver renascer nossa vida
Volta (...)
Os meus braços precisam dos teus
Teus abraços precisam dos meus
Estou tão sozinho
Tenho os olhos cansados de olhar para o além
Vem ver a vida
Sem você, meu amor, eu não sou ninguém

Sem você, meu amor, eu não sou ninguém.

posted by PARRIOT PB | 2:50 PM
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Quinta-feira, Junho 01, 2006  

Em tempos de Copa

Recebi este e-mail de uma amiga e não posso deixar de divulgar.

Pessoal,

Preciso compartilhar com vocês algo que começou de brincadeira e está virando um ¿cult¿ do humor e do esporte nacional nesse ano de COPA.

Minha irmã e o marido são designers e criaram o BOBUENO, de pura curtição... (João Bobo que, POR MERA COINCIDÊNCIA, tem cara de G. Bueno, aquele comentarista, sabe ? ... No Boneco, você pode bater ¿de com força¿ !!!)

A brincadeira já foi comentada pelo Nelson de Sá e pelo Zé Simão da Folha de SP e está ¿bombando¿ na Internet.

Aproveitem que posso intermediar aquisições para quem se interessar ! Estoque limitado . R$10,00.

Beijos

Vejam mais informações e besteiras : http://www.flickr.com/photos/bobueno


Imagem do dia


Bobueno.

Texto do dia

Buemba! Saiu o boneco Bobueno!
JOSÉ SIMÃO

O único problema de o Brasil ganhar de 8 x 0 é agüentar o Galvão Urubueno gritando

BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta! Cópula do Mundo Urgente! O único problema de o Brasil ganhar de oito a zero é ter de agüentar o Galvão Urubueno gritando oito vezes! "GOOOOOOL." Ele tá gritando mais do que viúva tirando atraso de oito anos. E sabe quem vai patrocinar a transmissão do julgamento dos Irmãos Cravinhos? A Acnase! Rarará! E os Irmãos Bacalhau revelam como vai ser o julgamento da Suzane von Richthofen pela TV. Vai ser como aquele programa do Silvio Santos: "Você matou o seu pai e a sua mãe?". "SIIIIM!" "Você troca uma semana na praia por uma semana na cadeia?" "NÃOOO!" Rarará! E o Galvão disse que o Rubinho teve problemas no drive-thru. Já sei, ele não consegue entrar nem no McDonald's. Rarará! E acaba de ser lançado aqui em São Paulo, na Vila Madalena, o boneco Bobueno: um joão-bobo de plástico com a cara do Galvão! Ele falou bobagem, você vai no boneco e, tchumba, soca ele. Ele falou uma patriotada, vai no boneco e tchumba! É um novo acessório para a Copa! Indispensável! Custa dez real! Dinheiro bem empregado. Vou assistir à Copa do Mundo com o Bobueno no colo! Vou botar o Bobueno no colo! Rarará! E a campanha do Lulalelé está lelé! Adorei a trilha sonora da campanha na TV do Fome Zero: "Impossible Dreams". O Fome Zero na tela e tocando a música "Sonho Impossível"! Rarará. E adorei o novo slogan do Alckmin: "Sebo na canela". Essa é do tempo da minha bisavó. Que não vota há mais de cem anos! Rarará. E ele ainda falou que "a ira santa vai derrotar o Lula". Ira eu concordo, porque o povo está irado mesmo. Mas santa? Ira santa? Ele entrou para o Jihad Islâmico? Para a turma do Bin Laden? Será que vai ter Intifada no Opus Dei? Rarará. É mole? É mole, mas sobe. Antitucanês Reloaded, a Missão. Continuo com a minha heróica e mesopotâmica campanha "Morte ao Tucanês". Acabo de receber mais um exemplo irado de antitucanês. É que em Bragança, no Pará, tem um inferninho chamado Brega do Pau Cheiroso. Rarará! Mais direto, impossível. Parece Dias Gomes. Viva o antitucanês. Viva o Brasil! E atenção! Cartilha do Lula. Mais um verbete para o óbvio lulante. "Patriótica": ótica especializada em óculos para a Copa! Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje, só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno! No pingolim! Para ver se bate no teto! UFA!

posted by PARRIOT PB | 12:37 PM

Novo Tempo(RETRÔ) - Ivan Lins
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